Nada a ver, tudo a ver

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Naturalmente, os gaiatos de sempre não perderiam a oportunidade.
“Revanche”, “vingança” e outras papagaiadas povoaram as manchetes e comentários.
Mas não havia muito como estabelecer outras coincidências além dos times protagonistas.
A seleção brasileira jogando bem no primeiro tempo, apesar de alguns erros no último passe, na atenção no momento do toque.
A seleção alemã determinada, de toque preciso, procurando decidir num contra-ataque, carimbando o travessão brasileiro, mas sem um talento destacado, fortalecida no conjunto.
O gol brasileiro surgiu num lance de bola parada, numa falta muito bem cobrada por Neymar, sem chances para o bom goleiro alemão.
Com um pouco mais de atenção e capricho, o time poderia ter feito o segundo gol e praticamente liquidado o jogo.
O segundo tempo foi diferente.
Repetindo uma característica preocupante de nossas seleções, a vantagem no placar, ainda que mínima, dá ao elenco uma certa acomodação.
Sucedem-se erros primários de passes, seja por imprecisão ou toques curtos demais.
Sem contar as falhas preocupantes na saída de bola, permitindo lances de perigo para a Alemanha.
E justamente num desses erros, numa bola rasteira cruzada na área, o belo arremate de primeira, empatando o jogo.
Previsível e esperado, vide que a Alemanha já havia carimbado nosso travessão.
Definitivamente, não estávamos jogando com bobos, longe disso.
Empateno tempo normal, empate na prorrogação e a decisão nos pênaltis.
Com a defesa do goleiro Weverton na penúltima cobrança alemã, coube a Neymar sacramentar a conquista da tão aguardada medalha de ouro no futebol.
Uma conquista de valor, a única que nossa seleção ainda não tinha.
Mas findo o jogo, voltou o exercício preferido de alguns comentaristas: destacar pontos negativos, hipervalorizar detalhes insignificantes e fantasiar, delirar.
Já teve gente falando em “recomeço do futebol brasileiro”, “honra lavada”, “vingança” e outras idiotices.
No outro extremo, paspalhos falando que “ganhamos de uma seleção desfalcada” e “era prá ter si outro 7×1”.
Foi apenas uma vitória.
Merecida, suada e sofrida.
Poderíamos ter perdido, mas ganhamos.
Mais sensato enxergar assim.

Tite, um cara de coragem

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Num país como o nosso, a imprensa – aí arrolados revistas, jornais, emissoras de rádios, canais de tv, sites da web, etc. – sempre se arvoraram a ser “voz, coração e mente” da sociedade.
Assim, interpretam que tem o poder e autoridade para ditar rumos, ações, atitudes e comportamentos.
Quando isso não ocorre, é visível a frustração e reagem, a seu modo.
Podemos ver isso, no meio de futebol,na última semana, quando a CBF dispensou o técnico Dunga, após a eliminação na Copa América.
Após o mistério de sempre, revelou-se que Tite, então técnico do Corinthians, seria o escolhido.
A comoção foi imediata.
Tite, por várias razões, é visto como muita simpatia – para alguns, excessiva – por alguns gigantes da mídia.
Educado, articulado, em alguns momentos tendendo a prolixidade, ele sempre foi figurinha carimbada em programas esportivos.
Ocorre que, a cerca de seis meses, para júbilo de alguns desses, ele emitiu uma carta com fortes críticas à cúpula da CBF.
Foi saudado como corajoso, revolucionário, atalaia de mudanças, patati-patatá.
Então, para a mídia, o enredo a ser cumprido por Tite seria recusar o convite e ainda falar uns desaforos para a CBF.
Mas Tite, compreensivelmente, aceitou o convite.
Como alguém alegou, com razão, é que o sonho de todo técnico – daqui e de outros países – se ofereceu a ele, então ele fez o que todo técnico faria.
Além disso, caso recusasse, a diretoria da CBF continuaria intocada e ele talvez não fosse convidado nunca mais.
Aceitando o convite, ele virou alvo de alguns cardeais da grande mídia.
Para alguns, virou até um arremedo de mau-caráter, como pude ouvir ontem.
Até mesmo aqueles que entenderam sua atitude não perderam a oportunidade de lançar insinuações quanto à falta de solidez de caráter.
Considero essas atitudes mesquinhas, como aliás considero quase tudo que parte da grande mídia.
Se Tite fez o certo ou errado, não nos cabe julgar.
Já passou da hora da grande imprensa começar a ser contrariada, a ver que as pessoas não são obrigadas a seguir seu enredo pré-definido.
Embora mínima, a atitude de Tite é emblemática.
Que outros sigam seu exemplo.

Melhor assim

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No prazo de uma semana, a seleção brasileira conseguiu ser eliminada ainda na fase inicial da Copa América, disputando vaga com as medíocres seleções do Peru, Equador e Haiti.
Quem, como eu, foi dormir de madrugada, acompanhando a sonolenta estréia diante do Equador, percebeu o tamanho da encrenca.
O técnico não conseguiu ‎impor na seleção um estilo de jogo, jogadas ensaiadas, etc.
Pior, insiste com jogadores medianos, operários da bola, sem brilho para envergar a camisa da seleção.
Exemplos? Elias, um volante limitado.
O empate sem gol deixou claro que seriam necessárias mudanças, ousadias.
Nem um coisa nem outra.
A goleada diante do Haiti, pelo mítico placar de 7×1, rendeu piadas e gracejos. E só.
Quem assistiu ao jogo viu um time displicente, com jogadores perdendo gols ora por preciosismo estéril ou por incompetência mesmo.
E veio o jogo contra o Peru, outro time medíocre, que não vencia a seleção há mais de trinta anos.
Nenhuma mudança marcante, exceto a entrada de Lucas Lima e Robigol no ataque.
Desconfio que o supremo sacrilégio de vestir a camisa 10 no Lucas Lima cobrou seu preço.
Errou tudo que tentou, tropeçou na bola e nem de longe lembrou um bom jogador.
Mas não foi o único fiasco.
Na defesa, as trapalhadas de sempre.
Gil e Fellipe Luiz não seriam convocados nem para seleções de base nos áureos tempos.
Elias é o símbolo desse momento opaco da seleção: limitado, inseguro, esforçado, passa-me a impressão que sua convocação atende a interesses exclusivos de empresários.
Hoje, existem jogadores melhores para a posição, tanto no exterior, como no campeonato brasileiro.
Nosso meio-campo, setor cerebral de qualquer equipe, deixa muito a desejar.
Willian estava perdido, com seu arsenal de firulas e bolas para o lado.
E no ataque, tínhamos Robigol, correndo para um lado e para outro, inutilmente, pois não recebia nenhum passe em boas condições.
O empate sem gol persistiu até por volta dos trinta e poucos do segundo tempo, quando Rui Diaz empurrou a bola para dentro do gol com a mão.
Após o gol, mais um capítulo no enredo de comédias da arbitragem da Copa América: o juiz, confuso, claramente consultou um agente externo – imagino que tenha sido Stevie Wonder – e validou o gol.
As imagens mostram claramente que o gol foi irregular, mas isso é o de menos.
Se não saíssemos agora, existia o risco de outra derrota vexatória, dessa vez para um adversário local.
Só para registrar, Paulo Henrique Ganso, convocado e desfalcando seu clube, foi passear, não participando de nenhum jogo.
As perspectivas para as Olimpíadas, caso Dunga continue à frente, não são as melhores, mesmo contando com o retorno de Neymar.
E assim caminha nosso outrora melhor futebol do mundo.

Teatro inútil

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O protocolo comum da entrada das equipes para os jogos do estadual do Rio foi quebrado ontem, na arena da Amazônia.
Normalmente, os jogadores das equipes, acompanhados dos mascotes, adentram lado a lado em direção ao centro do gramado.
Naruralmente, uma atitude cheia de simbolismos.
Entrando lado a lado, mostram que não são inimigos, são apenas adversários. As crianças que os acompanham espelham a inocência, a alegria e a esperança.
Para aqueles pequenos torcedores, um momento mágico, ansiosamente aguardado.
Mas aí algum “jênio” do departamento de marketing – reduto de algumas das figuras mais pitorescas – teve a idéia genial.
O grupo abre mão da presença das crianças, ignora-as.
Entra sem a companhia do adversário, correndo no gramado, de forma destemida, independente, arrojada.
Avança até o meio do campo, sob a ovação da massa – maioria no estádio – e, num gesto forte, crava a bandeira do clube no gramado.
De forma figurada, conquista o território, delimita seu espaço e sinaliza para o maior rival que hoje a história será diferente.
Só faltou combinar com os russos…

Seleção e teimosia

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Ontem, imediatamente após o primeiro gol do Paraguai, aos 40 minutos do primeiro tempo, o pitoresco Luis Carlos Jr, do Sportv, lançou o infame “nesse momento a seleção está fora da Copa”.
Era verdade? Sim, claro, mas o tipo de verdade irrelevante, se é que o termo existe.
Findo o jogo, embora em sexto lugar, ainda faltam nada menos que 12 rodadas.
Isso posto, ‎a verdade que vem sendo ignorada é que talvez tenhamos hoje a pior defesa de todos os tempos.
Sempre‎ surgirá um iluminado com estatísticas e scouts, mostrando que os desarmes estão na média, patati-patatá.
No entanto, me refiro a termos práticos.
Ainda está viva na memória de todos os habitantes do planeta a humilhação histórica da goleada diante da Alemanha.
O apatetado zagueiro da ocasião, David Luiz, permanece como titular.
Inseguro, parece meio perdido em campo, erra nos botes aos atacantes, não consegue bloquear os arremates e é driblado com extrema facilidade. Um horror.
O restante não está muito melhor.
Filipe Luiz é violento e atabalhoado.
Miranda parece sobrecarregado e frequentemente aparece vendido nos lances de perigo.
Gil, do Corinthians, mostrou mais firmeza que David Luiz, mas estamos falando de seleção.
O melhor – ou menos pior – ainda é Daniel Alves.
Seria recomendável Dunga deixar de lado seu pragmatismo e procurar opções.
Suas decisões – ou teimosias – seguem o padrão de todos os técnicos de seleção brasileira.
Por exemplo, convoca Philipe Coutinho, mas não o põe para jogar.
Insiste com nulidades como Luis Gustavo e Fernandinho, jogadores sem bagagem e expressão.
Promove alterações mal explicadas, como sacar o bom goleiro Jefferson, sem dar razões claras.
O resumo da ópera é que teremos meses de muita emoção, embora acreditecque uma vaga, como sempre foi, será de nossa seleção.‎

Palmeiras cambaleante

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Quem assistiu ao jogo da Libertadores da semana passada, entre Palmeiras e Rosário Central (ARG), já havia pressentido o pior.
Sim, o time brasileiro venceu o confronto por 2×0, mas foi uma daquelas vitórias que exemplificam que futebol não tem lógica.
O Verdão abriu o placar, aos 24 minutos do primeiro tempo, com Cristaldo.
E depois o time aparentemente desaprendeu a jogar.
Numa noite de milagres de Fernando Prass, com direito a defesa de penaltis, o Palmeiras foi encurralado em sua área durante praticamente todo o segundo tempo.
Poucas vezes lembro de ter visto um time ser tão acuado, sem apresentar condições de reação.
Até que no apagar das luzes, num raro contra-ataque, aos 48, Allione fez o segundo.
E talvez esse resultado tenha enganado boa parte dos mais de 40 mil torcedores que compareceram ontem, em seu estádio, para assistir o duelo contra o Nacional (URU).
E o time local começou bem.
Ágil, sem os irritantes erros de passe costumeiros, os ataques se sucediam, mas sem efetividade.
Quando Lopez abriu o placar para o Nacional aos 37 minutos, o time uruguaio já havia perdido excelentes oportunidades.
A torcida ainda tentava entender o que ocorrera, quando o Nacional ampliou.
Num lance polêmico, em que os palmeirenses reclamaram de falta não marcada em Cristaldo, a bola foi lançada para Leandro Barcia, livre, que não desperdiçou.
Mas o Palmeiras conseguiu diminuir, em bela jogada de Gabriel Jesus, diminuir.
Mas o segundo tempo apresentaria ao torcedor palmeirense o cansativo enredo de sempre: passes errados, o lateral Lucas aparentando cansaço, Vitor Hugo e suas cabeçadas de olhos fechados, Dudu e seus dribles improdutivos e outros.
Melancolicamente, o Palmeiras terminaria o jogo com dois jogadores a mais.
A derrota expôs a fragilidade do time, que provavelmente não será corrigida com a demissão do técnico Marcelo Oliveira.
Pode até passar dessa fase, mas dificilmente avançarão da próxima fase.

Enfim, equilíbrio de forças?

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A Turner, gigante de mídia norte-americana, atual proprietária do canal Esporte Interativo, chegou “chegando” no futebol brasileiro.
Junto com a Fox, veio trazer dor de cabeça à Globo.
Na verdade, a Turner foi mais sábia do que a Fox ao escolher o momento de pôr suas cartas na mesa.
A sintomática e significativa aposentadoria de Marcelo Campos Pinto, homem-forte da Globo Esportes, ocorre após o início da ruína da CBF.
A isso, soma-se a crescente insatisfação dos demais grandes clubes brasileiros com a cada vez mais presente ameaça de “espanholização” do nosso futebol.
Afinal, uma divisão que concede 13,5% do total do valor de patrocínio a apenas dois times num total de vinte, beira a piada.
A Fox já tinha forçado a porta ao adquirir, sózinha, os direitos de transmissão da Libertadores.
Agora, a Turner ameaça se tornar o maior pesadelo da Globo.
Num momento delicado, em que os clubes se mostram insatisfeitos, a cartada da Turner pode causar avarias irreversíveis ao esquema global.
A natimorta “Primeira Liga”, as primeiras deserções – Atlético-PR já aceitou a proposta do EI – e o caos reinante na outrora poderosa CBF sinalizam que as coisas não caminham como a Globo desejava.
Por quatro anos – 2019 a 2024 – de contrato, o Esporte Interativo (leia-se Turner), oferecerá R$ 560 milhões.
Mas o império contra-atacou.
Os demais clubes reclamam da divisão de cotas? Então acabe-se com o “privilégio”.
As propostas reveladas pelo vice de futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, são revolucionárias:
Contrato de 2019 a 2024. Luvas de 60 milhões (não é empréstimo). Não reduzir os contratos atuais como os outros clubes assinaram. A partir de 2019 terminam os privilégios de Flamengo e Corinthians.
A distribuição da cota de tv aberta e tv fechada, no valor de 1 bi e 100 milhões ficará assim:
40% a ser dividido pelos 20 clubes, de forma igual.
30% pela classificação no campeonato.
30% pela exposição na tv.
A Turner ofereceu, apenas para a tv fechada, o seguinte:
40 milhões de luvas
560 milhões a ser divididos assim:
50% divididos igualmente entre os 20 clubes.
25% na classificação do campeonato.
25% pela exposição na tv medida pelo ibope.
A briga está apenas começando.
Existem outros aspectos que tratarei em outros posts, mas só o fato de ter surgido uma alternativa já merece uma comemoração.